Recursos Profissionais|15 de dezembro de 2025
AvaliaMed

Médicos são excelentes profissionais, mas às vezes falham justamente nas tarefas consideradas "simples", como atendimento ao cliente. Sim, pacientes também precisam de atendimento ao cliente, e uma clínica precisa estar preparada para oferecer um serviço de qualidade em todos os canais relevantes.
No mundo da medicina moderna, o termo "paciente" está sendo gradualmente substituído pelo termo "cliente", não no sentido comercial, mas na forma como a experiência é percebida. Isso pode soar estranho para alguns ouvidos, acostumados ao ethos médico clássico em que a medicina é uma missão e não um negócio, mas a realidade fala por si. Vocês já sabem que todo paciente tem acesso ao "Dr. Google" ou ao Professor ChatGPT, onde recebe respostas em segundos (a precisão é outra questão). Os pacientes hoje têm múltiplas opções de escolha e expectativas muito altas – a excelência clínica é apenas metade da equação. A outra metade, e muitas vezes a que determina se o paciente voltará ou recomendará vocês, é a experiência do atendimento.
É importante reconhecer. Às vezes existe uma lacuna entre o imenso conhecimento profissional do médico e a capacidade da clínica de fornecer uma resposta administrativa e de atendimento rápida, eficiente e empática.
No mundo empresarial comum, quando um cliente espera por atendimento da empresa de internet, ele fica irritado ou frustrado. No mundo da medicina, quando um paciente espera por resposta, ele pode até ficar assustado.
A diferença essencial entre um consumidor comum e um paciente é o nível de tensão emocional. Uma consulta à clínica – seja para marcar consulta, verificar resultados de exames ou perguntar sobre efeitos colaterais – frequentemente vem de um lugar de angústia ou incerteza.
Quando a clínica demora a responder, o nível de ansiedade do paciente aumenta. Essa ansiedade muitas vezes se transforma em raiva direcionada à equipe e, às vezes, até afeta a adesão ao tratamento. Uma resposta rápida é, portanto, parte do próprio tratamento. É uma "injeção calmante" virtual que diz: "Estamos aqui, vemos você, você está em boas mãos".
Além disso, na era digital, paciência é um recurso raro. Pesquisas mostram que os clientes esperam resposta quase imediata. Se vocês não responderem, eles procurarão outro médico na lista. A perda de pacientes por "falta de disponibilidade" é a "doença silenciosa" de muitas clínicas. Vocês não os veem saindo – eles simplesmente param de vir.
Para administrar uma clínica de sucesso, não dá para se contentar com um telefone fixo atendido duas horas por dia. Seus pacientes estão em todos os lugares e esperam que vocês estejam lá para eles. Vamos analisar os diferentes canais e o "protocolo de tratamento" necessário em cada um.
Apesar da tecnologia, o telefone continua sendo o canal principal, especialmente para populações mais velhas ou em casos de emergência (reais ou subjetivos).
A expectativa: Atendimento humano em poucos toques, ou pelo menos a possibilidade de deixar mensagem com promessa de retorno rápido.
A falha comum: "Número ocupado" por horas, roteamento infinito de chamadas ("pressione 1... pressione 4..."), ou caixa postal cheia que não permite deixar mensagem.
A solução: Se a secretária está sobrecarregada com o atendimento presencial, deve-se ativar um serviço externo de atendimento humano (Call Center) que saiba receber mensagens profissionalmente. É obrigatório retornar chamadas não atendidas no mesmo dia útil.
O e-mail é usado principalmente para envio de documentos médicos, resultados de exames ou perguntas complexas que exigem detalhamento e não são urgentes no momento.
A expectativa: Confirmação de recebimento imediata (automática) e resposta objetiva em até 24 horas.
A falha comum: "O buraco negro". O paciente envia um e-mail e não sabe se chegou, quem leu e quando receberá resposta.
A solução: Configure uma resposta automática: "Recebemos sua mensagem, a equipe médica irá analisá-la e retornaremos até...". Mantenham linguagem formal e respeitosa, e garantam que assuntos médicos sensíveis estejam protegidos de acordo com as leis de privacidade.
No Brasil, o WhatsApp é a ferramenta de comunicação mais poderosa. É percebido como pessoal, rápido e direto. Para clínicas, o WhatsApp às vezes é uma ferramenta "sem alternativa", já que os pacientes esperam esse canal de comunicação. É uma ferramenta muito eficiente, mas também pode ser exaustiva.
A expectativa: Resposta "em movimento". O paciente vê o "visto azul" (ou sabe que vocês leram) e espera uma resposta em minutos a uma hora.
A falha comum: Mistura entre pessoal e profissional, ignorar mensagens "lidas", ou respostas muito curtas que parecem desdenhosas.
A solução: Use apenas o WhatsApp Business. Esta ferramenta permite definir horários de funcionamento, mensagens automáticas de abertura ("Estamos fechados no momento, retornaremos pela manhã") e respostas rápidas para perguntas frequentes como endereço da clínica ou orientações de jejum. Assim, o paciente se sente atendido mesmo quando a resposta não é imediata.
Esses canais são usados principalmente por pacientes novos ou interessados ("leads"). Eles estão sondando antes de marcar uma consulta.
A expectativa: Informação acessível e rápida, resposta rápida a mensagens no chat das redes sociais – se não no mesmo dia, então no dia seguinte.
A falha comum: Página de Facebook ativa com posts bonitos, mas com Messenger que ninguém verifica por dias (no melhor caso).
A solução: Sincronização. Todos os contatos das redes sociais devem convergir para um lugar que a secretária ou gerente da clínica verifica pelo menos duas vezes por dia. Se vocês não têm capacidade de responder lá – não ativem a opção ou configurem um bot que direciona para WhatsApp/telefone.
Muitos médicos caem na armadilha do "eu faço tudo". Eles tentam atender, responder telefones e enviar receitas simultaneamente. O resultado é esgotamento do médico e atendimento mediano ao paciente. É aqui que entra a responsabilidade do gerente da clínica (ou da secretária sênior).
O papel do gerente não é apenas "marcar consultas". Seu papel é gerenciar a experiência do paciente.
O gerente da clínica deve:
Estabelecer procedimentos: Em quanto tempo responder a e-mails? O que fazer com uma chamada não atendida? Qual o roteiro de conversa com um paciente irritado?
Triagem: O gerente é o guardião. Ele precisa saber distinguir entre uma mensagem de WhatsApp de "acabou minha receita" (tratamento administrativo) e "estou com pressão no peito" (encaminhamento imediato ao médico).
Uso de tecnologia: Implementação de sistemas CRM (gestão de clientes) que centralizam todos os contatos em um só lugar, para que nenhum paciente "caia entre as cadeiras".
Treinamento: Se há equipe de secretárias, o gerente é responsável por garantir que a linguagem seja uniforme, paciente e profissional em todos os canais.
Quando o médico sabe que há um "responsável dedicado" gerenciando a comunicação, ele pode se dedicar ao que faz melhor – curar.
Esta é uma das questões mais delicadas na medicina privada (e às vezes também na pública). Por um lado, dar o número pessoal é visto como o ápice do atendimento e cuidado. Cria uma conexão íntima e compromisso. Por outro lado, é uma receita certa para esgotamento, invasão de privacidade e incapacidade de se desconectar do trabalho.
Muitos médicos que deram seu número pessoal se encontram respondendo mensagens à noite ou recebendo fotos de erupções cutâneas durante o almoço de domingo. Muito rapidamente, o "atendimento" se torna um fardo oneroso, que pode até prejudicar o tratamento e a vontade de continuar oferecendo o serviço.
Se vocês escolheram estar disponíveis diretamente, façam isso com inteligência:
Separação total: Nunca usem o telefone pessoal da família para trabalho. Comprem um aparelho separado ou usem chip duplo (Dual Sim). Isso permite que vocês física e mentalmente "desliguem a clínica" quando estão em casa.
Alinhamento de expectativas "firme" mas justo: Na primeira consulta, ou na assinatura do e-mail/WhatsApp, indiquem claramente: "Este número está disponível para mensagens entre 08:00 e 20:00. Em caso de emergência médica, procure o pronto-socorro, não espere por resposta".
Educação dos pacientes: Se um paciente envia uma mensagem não urgente na sexta à noite, não respondam imediatamente (a menos que seja emergência). Se responderem, vocês estabeleceram uma norma de que estão disponíveis 24/7. Respondam na segunda de manhã com um sorriso. Os pacientes respeitarão vocês mais se vocês respeitarem seu próprio tempo – isso transmite profissionalismo, não apenas disponibilidade.
Delegação: Conectem o WhatsApp Business ao computador da gerente da clínica. Ela pode filtrar 80% das mensagens (agendamentos, perguntas técnicas) e deixar para o médico apenas as questões clínicas.
A integração de inteligência artificial (IA) já não é ficção científica, mas o próximo passo na gestão de uma clínica moderna. O uso de IA não visa substituir o toque humano do médico, mas liberar a equipe de tarefas técnicas para que possam oferecer um atendimento mais personalizado.
Ainda não chegamos lá 100%, mas já existem usos interessantes que podem ser implementados na clínica.
A nova geração de IA oferece "agentes de voz" (Voice Agents) que soam quase completamente humanos. Imaginem um sistema que atende o telefone da clínica a qualquer hora, entende fala livre em português, sabe marcar consultas diretamente na agenda de vocês, responder perguntas frequentes ("Tem estacionamento?", "Quanto custa a consulta?") e até identificar urgência na voz do paciente e alertar a equipe humana em caso de emergência. Para o paciente, é um atendimento sem tempo de espera – para a clínica, é um atendente dedicado que trabalha 24/7 sem esgotamento (com o custo operacional significativamente menor).
Antes do paciente chegar ou mesmo antes da ligação com o médico, um chatbot baseado em IA pode realizar uma entrevista prévia inteligente e aprofundada no WhatsApp ou no site. O sistema não apenas coleta detalhes técnicos, mas "entrevista" o paciente sobre seus sintomas em linguagem natural e empática. No final da conversa, o sistema apresenta ao médico um resumo conciso e estruturado, e pode até recomendar ao paciente qual exame trazer para a consulta. Isso dá ao paciente a sensação de que "estão ouvindo" imediatamente, e economiza minutos preciosos do médico na coleta de informações básicas dentro do consultório.
Em vez de esperar o paciente ligar quando está doente, sistemas de IA podem analisar o banco de dados da clínica e gerar contatos proativos e personalizados. O sistema saberá identificar que um determinado paciente terminou uma receita de uso contínuo e enviará uma mensagem: "Notamos que seu medicamento está acabando, gostaria que preparássemos uma nova receita?". Ou, por exemplo, para pacientes que não visitaram há seis meses, o sistema enviará um lembrete amigável para check-up periódico de acordo com sua idade. Isso transforma o atendimento de "reativo" para "proativo", o que aumenta significativamente a fidelidade dos pacientes.
Atendimento ao cliente na clínica não é luxo nem "bônus". É o fio que conecta a necessidade do paciente ao conhecimento do médico. Quando o atendimento é ruim, até o melhor tratamento médico é prejudicado, porque o paciente chega ao consultório tenso, irritado ou até assustado.
Uma clínica que sabe gerenciar seus canais de comunicação de forma profissional é uma clínica que transmite qualidade e ajuda os pacientes a se sentirem mais confortáveis.
As tarefas clínicas complexas vocês já dominaram. Não deixem as tarefas "simples" atrapalharem vocês. Invistam recursos, planejamento e procedimentos claros no sistema de atendimento da clínica. O retorno virá não apenas na linha de lucro, mas principalmente na paz de espírito de vocês e na gratidão sincera dos pacientes.
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